Lives são a alternativa adotada pelo setor musical

Lives de shows musicais tornaram-se um meio de sobrevivência para o setor cultural durante a pandemia

Texto: Carolina Canton, Elisa Ambrosi e Thamires Bispo

Lives: Os cinco integrantes da banda Venosa

Lives – Integrantes da banda Venosa. | Foto: Yago Nunes

O distanciamento social ocasionou mudanças no cotidiano de todos, e o entretenimento é um dos principais setores atingidos pela pandemia. Artistas que sobrevivem de seus shows possivelmente vão demorar para voltar à rotina. Tais circunstâncias demandaram uma solução criativa, que são os shows on-line por meio das lives no Youtube. Segundo o Portal O Globo, sete das 10 maiores audiências em lives do mundo são do Brasil.

A cantora Marília Mendonça alcançou 54 milhões de acessos simultâneos em sua live do dia 8 de abril, ficando em primeiro lugar do ranking. A dupla Jorge & Mateus ficou logo atrás, atingindo 13 milhões no dia 2 de maio. Os irmãos Sandy e Júnior, segundo o Portal Correio do Povo, alcançaram 2,5 milhões de acessos.

A banda mineira Venosa, de pop rock, tem seu principal público concentrado em Goiás e em parte de São Paulo. Com 11 anos no mercado, a Venosa também teve que se reinventar durante a pandemia. Diogo Machado, integrante da banda, explica a nova logística adotada pelo quinteto. “No fim da primeira semana da quarentena, no dia 21 de março, nós já fizemos uma live. De maneira bem rústica, com uma webcam, sem patrocinador, não seguimos  protocolo ou cronograma. Então, foi muito legal, mas ao mesmo tempo percebemos que algumas coisas poderiam ter sido melhores”, afirmou.


Lives de Marília Mendonça e as reações do público

Um “novo normal” se avizinha

A Venosa teve sua primeira grande transmissão via canal do YouTube no dia 26 de abril. A Live Sunset Venosa somou mais de 25 mil visualizações. O baixista da banda conta como funciona a organização para realizar uma live com essa estrutura. “Nós fomos atrás de patrocinadores, pois alguns  já tinham manifestado um interesse econômico para vincular sua marca a essa live. Dessa forma, tivemos o potencial financeiro para fazer uma live com qualidade e estrutura melhor.

Contratamos uma equipe de filmagem e uma pessoa de produção para fazer contato com as marcas que estavam nos patrocinando. Eles também nos ajudaram em como levar tudo para a live. Queríamos fazer isso de forma natural, para que o público aproveitasse. Recebesse o nosso show como um momento de conforto, com músicas de qualidade e ao mesmo tempo levando a mensagem dos patrocinadores”, conta Machado.

Muito se fala em um “novo normal” no mundo pós-pandemia, principalmente para o mercado da música. Acredita-se que contato interpessoal vai demorar a se normalizar, e as novas práticas, como as lives, podem se tornar permanentes. Diogo Machado fala sobre sua visão acerca desse assunto. “Acredito que agora começou um novo momento. Nada vai ser mais como era em um mercado como o nosso, de música, shows e entretenimento. Acho que as lives vão perdurar, devem se transformar, de alguma forma, em uma coisa mais comum”, finaliza. 

Lives não são realidade para todos

A banda caxiense de rock psicodélico Óoauêaí optou por não realizar lives nessa quarentena. O grupo, formado por Diego Bonaldi,  João Lucas Albuquerque e Lucas Battisti tem público segmentado. Por esse motivo, a banda decidiu não realizar shows virtuais. “Eu já cogitei em falar com os guris para talvez fazer uma live acústica, tocar alguma música do auê. Só que entram várias questões,  a gente tem um público pequeno, então fazer uma live para poucas pessoas assistirem não é válido. Em segundo lugar, por exemplo, estourar uma corda do violão, o áudio ou a qualidade do som. A gente não tem equipamento em casa pra poder fazer uma live relativamente decente”, conta Diego. 

A falta de estrutura para realizar um evento online não é o único empecilho. O guitarrista Lucas comenta que existe um público fiel, mas que não é o suficiente em comparação ao esforço e investimentos necessários. “As lives são melhores para bandas maiores, isso leva em conta a monetização. Quando a gente fala em Facebook, Instagram ou nessas redes sociais mais populares, temos uma grande dificuldade como banda independente. Acaba não valendo a pena, no meu ponto de vista. Pra mim não adianta fazer live para quatro pessoas verem e só perder dinheiro”, afirma Lucas.

Lives pré e pós pandemia

Com a ampliação dos decretos regionais sobre a permanência do fechamento dos estabelecimentos, principalmente bares e casas noturnas, a tendência em se adequar a apresentações virtuais pode crescer. “Alguns locais não aceitam tais bandas por causa do estilo e os lugares estão fechando também. Algumas cidades não têm onde as bandas tocarem, então vão apelar para esse recurso para ter um alcance maior”, destaca João.

Diego complementa que as lives são ferramentas que não surgiram com a pandemia, mas se popularizaram com ela. “Eu acredito que assim como existe a live pré-pandemia vai existir a live pós-pandemia, só que vai ser bem menos frequente. Alguns artistas que começaram a fazer live e se beneficiaram desse recurso talvez vão continuar fazendo, mas outros acredito que vão largar”, completa.

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