Esporte mais popular do Planeta, o futebol sofre impacto da pandemia

 

De suspensão de campeonatos a demissão de funcionários, o coronavírus atinge a saúde financeira dos clubes ao redor do mundo

Texto: Brenda Luísa Dalcero, Gabriela Bento Alves e Maurício Carvalho

 

Esporte mais popular do Planeta – O coronavírus trouxe impactos a todos os âmbitos da sociedade. No esporte não poderia ser diferente. Com campeonatos de futebol paralisados, prejuízos financeiros são motivo de preocupação até para os clubes mais ricos do mundo. Com isso, diminuição nos ganhos foi sentida pelas equipes, a alternativa encontrada tem sido negociar a redução de salários e direitos de imagem. Todavia, algumas equipes precisaram adotar medidas mais extremas, como cortes no quadro de funcionários.

Na Europa

No continente europeu, o Campeonato Francês, por exemplo, encerrou após 28 rodadas e o PSG sagrou-se campeão. Em conclusão, as outras duas vagas para a Liga dos Campeões ficaram com Olympique de Marselha e Rennes, segundo e terceiro colocados. Já as equipes Amiens e Toulouse foram rebaixadas. Na Inglaterra, a Premier League foi paralisada no dia 13 de março e retornou no dia 17 de junho, faltando nove rodadas para o fim do campeonato.

 

O estádio Anfield Road, em Liverpool, Inglaterra, recebeu jogo entre Liverpool e Crystal Palace com portões fechados.

O estádio Anfield Road, em Liverpool, Inglaterra, recebeu jogo entre Liverpool e Crystal Palace com portões fechados. | Foto: APF

 

Espanha

O campeonato Espanhol foi paralisado em março com 11 rodadas a serem disputadas. A organização da La Liga organizou a volta para o dia 5 de junho, mas sem presença de torcidas. Na semana do dia 11 de maio, as equipes voltaram aos treinamentos e os jogadores foram testados para o coronavírus. O lateral-esquerdo da Seleção Brasileira, que atua pelo Atlético de Madrid, Renan Lodi, foi diagnosticado com o vírus. O atleta ficou em isolamento por 14 dias. Entretanto, Renan já se recuperou e treina normalmente no clube.

 

O Real Madrid voltou aos treinos na Espanha.

O Real Madrid voltou aos treinos na Espanha. | Foto: Sergio Perez/Reuters

 

Alemanha

Na Alemanha, a Bundesliga foi paralisada em 13 de março e o governo autorizou o retorno da competição em 16 de maio. Entretanto, foi estabelecida uma série de regras para garantir a segurança dos jogadores e comissão técnica. Faltam nove rodadas até o fim da liga, mas o Bayern de Munique já foi declarado campeão.

A Bundesliga, primeiro campeonato a retornar, teve clássico entre Borussia Dortmund e Schalke 04.

A Bundesliga, primeiro campeonato a retornar, teve clássico entre Borussia Dortmund e Schalke 04. | Foto: Borussia Dortmund/Divulgação

 

Itália

Já na Itália, o campeonato paralisou-se em 9 de março, faltando 12 rodadas para o encerramento. Na semana do dia 5 de maio, algumas equipes voltaram aos treinamentos, como foi o caso do Sassuolo. O campeonato voltou na semana do dia 20 de junho, seguindo protocolos indicados pelos órgãos de saúde.

 

O campeonato italiano retornou sem torcida

O campeonato italiano retornou sem torcida. | Foto: Vincenzo Pinto / AFP

 

Portugal

Em Portugal, os jogos retornaram no dia 30 de maio. A Liga Nos foi paralisada em 13 de março, restando 10 rodadas em disputa. Na Holanda, a Eredivise foi encerrada após 25 rodadas sem campeão ou rebaixamento.

 

O campeonato português foi um dos primeiros a retornar.

O campeonato português foi um dos primeiros a retornar. | Foto: Tiago Petinga/Reuters

 

Esporte mais popular no Brasil

No Brasil, a situação segue a mesma dos times europeus. A diferença é que os campeonatos estaduais estavam em andamento quando a pandemia do coronavírus chegou ao País. No pico da contaminação, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), assim como as federações estaduais, não têm previsão de volta dos campeonatos. Como resultado disso, as equipes esperam pela autorização do Ministério da Saúde ou dos órgãos estaduais competentes.

Dentre os vinte times que disputam a Série A brasileira, os clubes gaúchos são os únicos que já retornaram às atividades. As equipes diretivas do Grêmio e do Internacional elaboraram, juntas, um protocolo de atuação para garantir a segurança de atletas, comissões técnicas e demais funcionários. Os cuidados envolvem a medição de temperatura e do nível de oxigênio no sangue de todos que entram nos CTs da dupla Grenal. Além disso, ambos os clubes já realizaram uma leva de exames para averiguar a situação de contágio de atletas e funcionários, e já possuem exames para uma segunda e terceira rodada.

O Grêmio voltou aos treinos, mesmo sem previsão de retorno do campeonato.

O Grêmio voltou aos treinos, mesmo sem previsão de retorno do campeonato. | Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Proposta

Até o fechamento da reportagem, foram registrados quatro casos da Covid-19 entre a equipe colorada. O time da Capital não divulgou os nomes dos atletas contaminados. Já o Grêmio teve dois casos confirmados em funcionários, além do jogador Diego Souza, que foi diagnosticado no Rio de Janeiro.

Nesse contexto, a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) apresentou, no dia 12 de maio, uma proposta aos 12 clubes que compõem a primeira divisão do campeonato gaúcho, prevendo, assim, uma possível volta aos gramados entre os meses de julho e agosto.

A decisão, aceita por unanimidade, ressalta ainda que não haverá rebaixamento na temporada 2020. Os clubes também terão inscrições de jogadores com prazo prorrogado. Além disso, na temporada de 2021, 14 clubes disputarão o Gauchão, devido ao acréscimo de dois clubes da segunda divisão do estadual. Para garantir a segurança no retorno do campeonato, a FGF buscou a parceria de um laboratório, com o objetivo de fornecer testes também aos times do interior do Estado. Assim, cada clube receberá 100 testes e, desses, 50 devem ser realizados na volta aos treinos. Já os outros 50 no início do campeonato.

O Internacional também voltou aos treinos, em Porto Alegre.

O Internacional também voltou aos treinos, em Porto Alegre. | Foto: Ricardo Duarte /Internacional

 

Em Caxias do Sul

Os clubes da cidade, Caxias e Juventude, aguardam  autorização da prefeitura para poder voltar aos treinamentos. Devido ao novo modelo de distanciamento adotado pelo governo estadual, chamado distanciamento controlado, o estado foi separado em 20 regiões, com bandeiras indicando seu alerta de pandemia. Dessa forma, Caxias do Sul estava na zona da cor laranja até o fechamento da reportagem, determinada como risco médio, e os clubes foram autorizados a treinar. Na dupla Ca-Ju, até o momento, apenas o volante João Paulo, do Juventude, testou positivo para Covid-19.

O Juventude testou todos os atletas e comissão técnica antes do início dos treinos.

O Juventude testou todos os atletas e comissão técnica antes do início dos treinos. | Foto: Arthur Dallegrave/EC Juventude

 

A reportagem conversou com jogadores da dupla CaJu para entender como os atletas estão lidando e se preparando para uma possível volta aos gramados. O volante Vidaletti, 23 anos, do Caxias, conta que adaptou sua rotina de exercícios. Assim, o jogador treina, pelo menos, uma vez por dia para manter a forma física. Além disso, o atleta vê o isolamento como necessário neste momento, mas sente falta do esporte. “Estar isolado não é um fardo, mas tenho muita vontade de voltar a jogar”, acrescenta.

Já o capitão do Juventude, o lateral-esquerdo Eltinho, 32 anos, relata que encontrou dificuldade para conseguir se adaptar à nova rotina de treinamentos. Porém, sem estrutura qualificada,  teve que improvisar. “A gente tenta fazer alguma coisa em casa, trabalho de coxa, de costas, mas nada além disso. Ora pela falta de espaço, ora de equipamento” afirma. Mesmo com o momento difícil, o capitão alviverde pode tirar proveito do tempo a mais com a família para ajudar nas tarefas de casa e planejar o futuro, já que planeja se aposentar.

Finanças preocupam

Na questão financeira, os dois clubes da cidade cortaram em 50% os salários de atletas, funcionários e comissão técnica. As ações foram tomadas para minimizar o impacto da pandemia na saúde financeira das equipes. Além disso, os contratos de direitos de imagem foram renegociados para 2021. Portanto, a redução é aceita devido à interrupção dos campeonatos estaduais e nacionais, já que estes arrecadavam grande parte da receita de Caxias e Juventude.

Crise no Brasil e no mundo

O consultor esportivo Amir Somoggi, sócio-diretor da Sports Value, agência especializada em marketing e patrocínios esportivos, estima que os cem maiores clubes do futebol brasileiro podem perder, juntos, 1,1 bilhão de reais. Em resumo, o valor corresponde a diversas fontes de faturamento, incluindo patrocínios, venda de ingressos, redução de sócios, diminuição na venda de produtos, além dos cortes nas verbas de televisão.

Na Europa, continente em que o futebol movimenta mais dinheiro, a situação é parecida. Portanto, os governos ofereceram ajuda financeira em alguns países, como na Inglaterra, para pagar os salários dos funcionários dos times. Diversas equipes concordaram em reduzir os salários de jogadores e comissão técnica enquanto os campeonatos estão paralisados. Como a Juventus, da Itália, que é um exemplo disso. Portanto, em abril, a Fifa encaminhou auxílio financeiro a 211 confederações nacionais. Em síntese, o repasse, que foi de 150 milhões de dólares (aproximadamente 840 milhões de reais), é a primeira etapa de um plano para dar apoio à comunidade do futebol, afetada pela crise gerada pela Covid-19.

No Brasil, todos os clubes da série A trabalham com redução no quadro de funcionários. Assim, alguns times, como o Flamengo, já tiveram que recorrer a demissões. As equipes negociam redução de salário com seus atletas para tentar amenizar os efeitos da crise e evitar demissões em grande escala. Porém, a situação é ainda mais grave para clubes e jogadores de divisões inferiores, já que, para eles, a captação de recursos por meio de patrocínios e direitos de imagem é ainda mais complicada.

 

 

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