Corrida espacial no século XXI tem novo cenário

Corrida espacial – Após décadas de descobertas, cenário da corrida espacial conta com novos atores

Texto: Brenda Luísa Dalcero

Corrida espacial – Em 1961, a (então) União Soviética levou o primeiro homem ao espaço. O astronauta Yuri Gagarin pôde afirmar, sem sombra de dúvidas, que “a Terra é azul”. Já em 1969, foram os Estados Unidos que deram “um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”. A imagem de Neil Armstrong firmando a bandeira americana em solo lunar foi transmitida ao vivo pela televisão. Mais de 600 milhões de telespectadores acompanharam o marco ao redor do mundo.

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Décadas depois, EUA e Rússia continuam sendo dois dos principais atores na corrida espacial, acompanhados pela China. A NASA planeja enviar dois astronautas à Lua – um homem e uma mulher – em 2024. A agência espacial russa, Roscosmos, anunciou que fará uma viagem tripulada à Lua em 2031.

A missão russa tem continuação prevista para 2033. O objetivo é iniciar a construção de uma base fixa do satélite terrestre em 2034. Já o governo chinês obteve sucesso com a missão Chang’e. No início de 2019, o satélite Longjiang-2 pousou no lado escuro da Lua. Além disso, o país também tem em vista a exploração lunar de forma permanente em um futuro não muito distante.

Corrida espacial – Satélite chinês fotografa Terra e Lua.

Lado oculto da Lua é visto, junto à Terra, pelo satélite chinês Longjiang-2 (Foto: Dwingeloo Telescoop‏)

Outros países que também investem na corrida espacial são Paquistão, Israel, Irã e Coreia do Sul. Já os países europeus participam da corrida espacial por meio da AEE, consórcio mantido por 22 países, entre eles Alemanha, França, Itália e Reino Unido.

Apostas para o futuro

Para o professor Odilon Giovaninni, do curso de Física da UCS, o futuro é promissor para a Astronomia e, portanto, para a humanidade. “O próximo grande marco da exploração espacial será o lançamento do telescópio espacial James Webb, da NASA, previsto para entrar em órbita em 2021”. O espelho do telescópio tem 6,5 metros de diâmetro, enquanto o do Hubble tem apenas 2,4 metros. “Após, será a vez dos grandes telescópios terrestres, com espelhos primários de 30 metros ou mais, entrarem em operação”, complementa.

A professora Thaisa Bergmann, chefe do grupo de pesquisa em Astrofísica da UFRGS, também aposta no desenvolvimento de telescópios terrestres. “Em 2013, foi inaugurado o  ALMA, um conjunto de 66 antenas que observa fenômenos em comprimentos de onda de milímetros, utilizando a técnica de interferometria”, explica.

De acordo com o site do  ESO, a radiação nesta gama de comprimentos de onda vem de vastas nuvens frias no meio interestelar. Essas nuvens têm temperaturas de apenas algumas dezenas de graus acima do zero absoluto. Elas são originárias das primeiras e mais longínquas galáxias do Universo.

Os astrônomos usam essa gama de comprimento de onda para estudar as condições químicas e físicas nas nuvens moleculares, pois essas regiões densas de gás e poeira são o berçário das estrelas. Essas regiões do Universo são frequentemente escuras e opacas na radiação óptica. No entanto, brilham distintamente nas bandas do milímetro e submilímetro.

Telescópios terrestres fotografam o espaço no deserto do Atacama

Antenas do ALMA, no Atacama chileno, sob as estrelas da Grande Nuvem de Magalhães (Foto: ESO/C. Malin)

 

Corrida espacial e novos atores

A corrida espacial não está mais restrita, no entanto, a agências governamentais. De acordo com levantamento realizado pela Bryce Space and Technology, a economia espacial movimentou cerca de 345 bilhões de dólares em 2016. Desses, o setor privado movimentou aproximadamente U$262 bilhões.
Mesmo que a movimentação comercial ainda corresponda principalmente a  atividades de satélites,  há empresas privadas caminhando em direção à exploração do espaço. Esse é o caso da SpaceX, de Elon Musk, fundador do PayPal e da Tesla Motors. Outro exemplo é a Blue Origin, de Jeff Bezos, fundador da Amazon e homem mais rico do mundo atualmente.

Bezos iniciou as operações de sua empresa espacial em segredo, enquanto Musk sempre declarou abertamente seus sonhos de explorar o espaço. Mesmo com suas diferenças, ambos chegaram à mesma solução para inovar e tornar mais viável a exploração espacial. Para eles, o desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, que permitem lançamentos mais baratos e mais frequentes, é o futuro da exploração espacial.

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